Escândalo Odebrecht cresce na Argentina com milhões em propina
- 15 jun 2017
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O montante é mais de três vezes superior ao que a construtora tinha informado no Brasil e o caso envolve lista de 42 nomes ligados ao governo de Nestor e de Cristina kirchner.

FILE PHOTO: A sign of the Odebrecht Brazilian construction conglomerate is seen at their headquarters in Lima, Peru, January 24, 2017. REUTERS/Guadalupe Pardo/File Photo peru lima sede de Odebrecht en lima escandalo corrupcion odebrecht.
A Odebrecht pagou mais de US$ 100 milhões em propinas na Argentina para fazer negócios de infraestrutura pública. Essa informação consta de documentos não oficiais da Lava Jato que a Justiça dos Estados Unidos entregou agora às autoridades argentinas, segundo reconstruiu graças a fontes que foram aos EUA e ao Brasil várias vezes em busca dessa informação.
Como Casa Rosada já possui uma lista de ex-membros do governo Kirchnerista (2003-20015) e de seus operadores, alguns muito conhecidos no mundo do poder, outros absolutamente anônimos, e também de empresários do setor e até de banqueiros. Sempre segundo a versão das delações premiadas dos funcionários da Odebrecht, essas foram as pessoas com cargo ou próximas ao poder do Estado e ao poder econômico que receberam propinas em Buenos Aires para beneficiar a empresa brasileira.
O documento que chegou dos EUA não é oficial, mas é uma cópia com carimbo e timbre da Justiça dos Estados Unidos, com parte das declarações judiciais de gerentes e acionistas da construtora brasileira em que descrevem como a companhia se expandiu na América Latina graças a pagamentos irregulares milionários que garantiram o sucesso financeiro da empresa. Até agora se sabia que a Odebreht havia desembolsado US$ 35 milhões em propinas na Argentina.
Mas o cálculo real, segundo o documento que assessores da aliança política do governo Macri, Cambiemos, têm em seu poder, triplica esse montante que alimentou a corrupção na Argentina nos anos do Kirchnerismo.
O porta-vozes do governo envolvidos nessa investigação sobre megacorrupção. Eles não fizeram declarações oficiais sobre o assunto, mas também não negaram que dirigentes do partido do governo tenham em seu poder os “documentos Odebrecht”.
Nesta segunda-feira (12), 42 nomes de argentinos fazem parte da lista de propinas que a empresa entregou à justiça dos Estados Unidos. Entre eles, estão os nomes do ex-ministro do Planejamento dos governos de Nestor e de Cristina, Julio de Vido, além de seus assessores diretos e empresários e sindicalistas.
Marcelo Odebrecht, neto do fundador da holding brasileira do cimento, foi condenado a 19 anos de prisão após relevar o método usado por sua empresa para se expandir na América Latina e em países da África.
Outros 77 funcionários da empresa fizeram declarações no mesmo sentido em suas delações premiadas. A delação premiada é uma figura judicial aplicada no Brasil para acusados que colaboram com as investigações de determinados crimes. Na Argentina ainda não existe uma lei desse tipo.
A Odebrecht terá que pagar US$ 2,6 bilhões de indenização para os Estados Unidos, a Suíça e o Brasil por ter cometido delitos para ganhar negócios por meio de pagamento de propinas. No entanto, segundo declaração de Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho, ex-responsável dos escritórios da construtora dedicados unicamente ao sistema de pagamento de propinas a assessores governamentais, a parlamentares e a outras personalidades na América Latina e em países da África, a rigor a Odebrecht pagou US$ 3,37 bilhões em propinas entre 2006 e 2014.
A “lista” dos possíveis corruptos na Argentina, que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos deixou vazar para autoridades políticas argentinas, incluiria dados de todo tipo sobre “a rota das propinas do cimento do Brasil”.
O “modelo” de leitura de cada uma das “delações premiadas” às quais a Casa Rosada teria tido acesso detalha informação contundente e muito específica sobre cada um dos envolvidos nesse caso, disseram as fontes que leram esses documentos, obtidos após diversas viagens de autoridades aos Estados Unidos e ao Brasil.
Os “documentos Odebrecht” seguem aproximadamente este esquema: após citar “o delator premiado” se diz que a pessoa “declara” que “entregou” propinas ou “pagamentos ilegais” para determinada pessoa (alguns nomes já são conhecidos) e imediatamente se detalha que isso aconteceu por meio de uma "transação” identificada com “número”, “banco”, “filial” e “dia” em que foi realizada a operação. Também se identifica a pessoa que recebeu a propina nos casos em que o pagamento foi feito por meio de uma empresa de "fachada".
Várias partes desses papéis foram “riscadas” pelas autoridades judiciais americanas para proteger seus informantes. A Justiça dos Estados Unidos está interessada nessas manobras porque os milhões das propinas da Odebrecht pagos na Argentina passaram por entidades bancárias dos EUA.
O atual ministro de Justiça da Argentina, Germán Garavano, que acaba de voltar dos EUA, afirmou que a promessa do Departamento de Justiça dos EUA para revelar o “caso Odebrecht” na Argentina se resume a duas palavras: “apoio total”. Os documentos do “caso Odebrecht” na Argentina surpreenderam porque o montante das propinas pagas no país é de mais de US$ 100 milhões. E não de US$ 35 milhões como se pensava.


















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